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III
Eram duas mariposas. Uma, pousada sobre um galho seco. Tudo era aparentemente claro e vivo, exceto a mariposa de asas secas e aquele galho morto em que pousava. No entanto, pequeno encanto, era imenso o canto em que ela descansava, sem ser atormentada nem mesmo por uma brisa, uma vez que não chamava atenção alguma para si. A segunda, pousada sobre sua testa, embora percebesse apenas a sombra das finas patas sobre seus olhos. Movia-se em círculos como que se ajeitando para repousar. E assim realmente foi o que aconteceu: parou, ( fitando os olhos da moça) e fincou-lhe, o que sentindo parecia ser, um ferrão. Aquilo então lhe bastava, oh sim, era ainda melhor que o maldito ópio. Os olhos retorciam, mas via as coisas a sua volta com uma nitidez nunca antes provada. “Agora sim, agora sim” repetia a mente ao vazio... “agora sim”.
Um braço apoiou-a e levantou grosseiramente, e quando se percebeu em pé, não era tarde para o equilíbrio... Curvou-se para frente e recompôs-se. “Dê três passos, Sophia” disse a voz conhecida do velho amigo.
“É efeito da mariposa?” perguntou “Não sei o que vê, Sophia, mas se esta falando da queda, creio que não”. Em uma quantidade de tempo incontável – não por ser muito ou pouco, mas por não ter consciência para contá-lo – Os dois viram-se de joelhos num campo vasto de flores com cheiro de álcool. Percebeu um caminho de liquido denso e violáceo, borbulhante, recém-fervido. “Olhe, além disso, um pouco a frente” disse o companheiro de viajem. “Sim, o que é aquilo retraído no canto?” perguntou. “é mais alguém que precisa conhecer, e que esta reclamando que lhe falta”. Engatinhando, como um animal pronto para a defesa, aproximou-se do ser arroxeado que derramava o liquido conforme se arrastava. “Quem é que deixa a sombra a me esconder?” perguntou a criatura “Alguém que deseja lhe conhecer”. A criatura destapou os olhos (que, como vitrais, coloriam o vão que ficava acima do campo) e fixou-se nela. “Sim, bem quem esperava, por favor, aconchegue-se, -limpando com as mãos um pouco do lodo- sinta-se bem ao meu lado” sorriu e mostrou seus dentes púrpuros dentro da boca seca. “Com quem falo agora?” perguntou Sophia, fissurada com a magnitude grotesca da criatura. “Ora, menina, sou aquilo que mais sente falta quando melhor esta, a sua consciência, claro.” “sim” sorriu Sophia “com frutífera beleza, quem mais haveria de ser”. “Porque foi embora quando lhe desejava ainda mais por perto?” “Bem, entra ai cabe a velha frase que todos conhecem ( criada por mim quando me aproveitava do pensamento útil das pessoas) : não se pode ter tudo que deseja. Ou hora tem a loucura, hora a insanidade, ou uma delas eternamente.Se ficar sem as duas, estará morta! Não existe vida sem consciência ou loucura, menina”. “Percebo, mas acho que me sinto tonta agora” “é efeito da mariposa. Bem, deixe me acolher meu canto frio, enquanto não te decides- a mariposa é prova de que ainda não se decidiu- e como disse, esta minha conversa contigo foi apenas proveito dos seus pequenos minutos de consciência: tua loucura ainda te cerca. Vá bem, e espero que nos encontremos de novo.” A criatura tornou-se rija bem a sua frente, e nada podia fazer, mesmo que quisesse, ele não mais a atenderia, por enquanto. Chegara hora de mais algum tempo de caminhada até encontrar mais um espaço vivo de sua mente.
CONTINUA





